Prazer, eu sou o Dinheiro.

A literatura é um campo inesgotável não só quanto aos focos dos assuntos, quanto ao número de publicações. Livros, cuja tiragem é definida pelos compradores, alcançam dezenas de milhares de exemplares.

Isso tudo, sem falar na eternidade dos ensinamentos, como os contidos neste texto hipotético, pois é uma Autobiografia Escrita pelo Dinheiro.

Vignon, Claude, 1593-1670; Croesus and SolonVejamos: “Nasci em um país da Ásia Menor, por iniciativa de Creso, o último Rei da Lídia (atual Turquia) que teve a ideia de transformar-me em moeda. Sofri várias metamorfoses com o passar dos anos. Fui cunhado em ouro, prata, cobre, bronze e níquel. Cada país cuidou de dedicar maior atenção e requinte à minha confecção. Fui entregue a gravadores peritos em sua arte.

43.jpgNo Brasil, comecei a ser cunhado na Casa da Moeda da Bahia, já nos tempos coloniais. Um dia, seguindo minha evolução, virei papel-moeda. Embora a evolução dos tempos tenha levado à substituição do ouro e da prata por metais menos raros ou suas ligas, preservou-se, com o passar dos séculos, a associação dos atributos de  beleza e expressão cultural ao valor monetário das moedas que, na atualidade, quase sempre apresentam figuras representativas da história, da cultura, das riquezas e do poder das sociedades.

f94eeca458c195c674d6910552ed3b85.pngA necessidade de guardar as moedas em segurança deu surgimento aos bancos. Ajudei, durante todos esses séculos, o desenvolvimento social e econômico do homem. Construí muita coisa. Destruí muita gente. Provoquei ambições, criei guerras, escravizei os homens.

Mas, juro, não era este o meu objetivo. Se pudesse escolher o meu destino, gostaria de estar nas mãos dos justos, dos bondosos, daqueles que me utilizassem para o bem e para o verdadeiro progresso do ser humano. Porque para isso fui criado.

Gostaria que as pessoas refletissem que sou uma lasca de metal; um simples pedaço de papel. Que elas sim, é que valem muito. Porque, no fundo, o que eu compro dura pouco, e daqui ninguém vai me levar.

Complementando esta última assertiva, este que vos escreve lembra o multimilionário que exigiu ser enterrado com as mãos abertas, para fora do caixão. Indagado porque isso, explicou: “Para demonstrar que dessa vida nada se leva”.

 

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10 comentários sobre “Prazer, eu sou o Dinheiro.

  1. De. José Artur
    Ínclito amigo.
    Excelente conteúdo. Peço que não retarde a publicação da próxima escrita.
    Cordialmente.
    Wilson.

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  2. Excelente! Uma verdadeira aula de história, que explica com precisão e poesia como o dinheiro pode transformar a essência humana. Essa dicotomia – o dinheiro para resolver problemas e o mesmo, para causá-los – é resultado da inabilidade em lidar com ele. Não é à toa que também é chamado de “vil metal”…

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