Cozinhando Escondidinho

A criatividade do nordestino não tem limites, independentemente de cor, raça e nível social. Para constatar isto, basta ter a sorte que eu tive ao entrar no Restaurante Cozinhando Escondidinho e ver que em um ambiente modesto, porém aconchegante, o atendimento ultrapassa as nossas expectativas. E para compartilhar o que lá dentro nós vimos, informo para onde vocês devem ir: Rua Flor de Santana, Casa Amarela.

A capa do folheto que serve de Cardápio tem um nome revelador do que vamos encontrar por lá: A BULA. De remédios? Não, de dezenas de pratos típicos do “povão” nordestino. E este título está subscrito com indicações interessantes: Indicado comer sem contraindicação. // Encher o bucho com moderação. // Valorizar os sabores do sertão. E, logo no texto de abertura, já desconfiamos do que nos aguarda nas outras páginas. Eis o texto autobiográfico, transcrito exatamente como lá está: “Não passo de um simples cozinheiro nato que dizem os boatos que eu sei cozinhar! Aqui bem aqui, bem pertinho bem de ká, me arrepia os pés me arrepia os pelos, chego a arrepiar todos os cabelos em poucas palavras vou me apresentar. Eu sei de onde vim e sei pra onde vou, a minha cozinha herdei por herança, pra quem não conhece vou me apresentar… Sou esse cozinheiro que usa chapéu de couro e atende pelo nome de RIVANDRO FRANÇA”.

E, ao virarmos a página, vem um MENU especial, do qual copiei alguns itens: “BOA TARDE! UMBORA COMER UM PÃO OU VAMO TOMAR UM CALDINHO?” E lá vem as especificações: Pão de alho… Caldinho… Feijão e Mocofava. Vocês sabem o que é “Mocofava”? É o casamento do caldo de mocotó, com a favada, dois pratos típicos da culinária nordestina (foi o Google quem me disse).

PETISCOS BEM ORGANIZADINHOS: Sururu na quenga pra baixo // Queijo de coalho embriagado na cachaça c/castanha de caju. PRAMAI DE UM COM SUSTANÇA: Oito agulhas no palheiro (agulhas brancas fritas com mel picante, ovo de codorna e queijo coalho). // Lindo de carne de sol (carne de sol com fava rajada). // A Taba da Salvação (carne de sol desfiada, queijo de coalho em cubos, banana da terra, calabresa, castanha de caju e ovos de codorna salteados na manteiga de garrafa e finalizada com cachaça em fogo alto // Destroços da Pororoca (camarões salteados na manteiga de garrafa perfumada de alho, taquinhos de Tilápia, batata doce, queijo de coalho, ovo de codorna e castanha de caju, flambados na cachaça. DO SERTÃO PRO MANGUE MONTADO A GALOPE NA BEIRA DO MAR Parafuso de cabo de serrote (Massa fusili serve de base para saltitantes camarões puxados na manteiga de garrafa, finalizados com molho de tomate agarrado em queijo de manteiga.

E tem muito mais, nessa criatividade redacional, com a devida licença do Mestre Rui Barbosa. Vão até lá, e curtam as delícias do Cozinhando Escondidinho.

Bom proveito.    


3 comentários sobre “Cozinhando Escondidinho

  1. J. Artur,
    Seu texto deixa claro que deve ter sido experiência muito interessante, com certeza.
    Mocofava: nunca tinha lido / ouvido nada sobre este tipo de comida nordestina. Mas, acho que deve ser da ótima culinária pernambucana.
    Abraço, amigo.

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