LATA VELHA (1)

Repensando a tal da Boa Idade, fiz uma análise temática do meu corpo de cima para baixo, valendo, desde já, citar uma afirmação do grande pensador José Cardoso da Cunha Filho: “Sob certos aspectos estou velho por inteiro, sob outros me encontro semivelho, por outros ainda me sinto quase velho e finalmente para algumas atividades o processo de envelhecimento está me envolvendo, deixando-me para-velho. A velhice nos deixa indecisos”. Continuando o nosso foco, afirmo que os cabelos cobrem a careca que fica torcendo para que caiam, querendo aparecer glamorosa. Logo abaixo, os dois olhos brigam entre si para chamar mais a atenção, em que pese um enfrentar ligeira miopia e o outro enfrentar a chatice de uma catarata. No centro, um nariz que a toda hora reverencia Juca Chaves, através da sua composição “Nasal Sensual”: = Nariz, aí, meu nariz // Como falam mal deste nasal que é tão normal // Ouço diariamente muita gente infeliz // Dizer que ele é maior do que a miséria do país // E que ele é maior ainda que o Pelé // Dizem até que é maior que o busto da Lolô // Maior ainda que o sorriso do Nonô. Na modernidade, Juca seria convidado para receber homenagem do Luciano Huck, fiel integrante do clube dos narigudos. Eita, esqueci de abordar algo importantíssimo. O que foi mesmo? Ah!! Foi a Memória que devia ter sido citada junto à calvície, ou logo após. Sim, mas eu estava abordando mesmo o que, droga de memória? Já sei: A minha lateral. Os dois ouvidos, pois a audição está bem reduzida e os meus pedidos de repetição do que me falam, são constantes. Cerumin nele, dizem os amigos e a minha estimada esposa, Célia, em voz bem alta. E nada de cotonetes, visse? Mais abaixo, as gengivas se encolhem para esconder as curvas das 2 dentaduras, as quais, internamente, dominam todo o globo, desde o céu da boca até a bacia interna do queixo, com a língua saltitante no meio. Envolvendo o queixo desde a base do nariz, vem uma Cabeleira do Zezé, chamada barba que se eu não quiser imitar Papai Noel, tenho que cortar dia sim, dia não, com todo cuidado para não ferir o rosto, coisa que nem sempre consigo. Descendo até os peitos, ou melhor, mamilos, como os chama meu neto João, lá vem um tal de Coração que ora é palpitante por uma coisa boa, ora é anúncio de ameaças de enfarto do miocárdio, ou de tratamentos agonizantes. Cateterismo é a palavra de ordem, para desentupir tudo. Por fim, deixando de lado tantos termos técnicos medicinais, e voltando à filosofia da vida, afirmo aos leitores que se encontrar o cara que inventou o dito “Boa Idade”, para definir a velhice, tudo farei para dar-lhe um “tabefe”. Até mais ver, meus estimados leitores deste nosso BLOGDOJARTUR.


2 comentários sobre “LATA VELHA (1)

  1. Gostei da ideia do tabefe!! Há muito não ouvia falar nele. É claro achei ótima e ri bastante lendo o post. Vc sempre com um fino humor. Parabéns meu estimado amigo. Toque pra frente. Seu blog está formidável. Abraços.

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