O crime dos Vieira de Melo

prob30Mexendo agora nos meus Alfarrábios, encontrei anotações antigas e resolvi transformá-las em um texto coerente com as publicações do BLOG DO JARTUR, vez que se referem a um segmento da minha família. Senão, vejamos.

bernardo.jpgTodo ano, no dia 10 de novembro, comemora-se o Primeiro Grito de República dado por Bernardo Vieira de Melo, e aí me ocorreu a ideia de mandar para uns amigos uma mensagem brincalhona dizendo-me “NOBRE”, pois pertencia ao Clã dos “Vieira de Melo”, pessoal deveras importante.

Na brincadeira, citaria não só o Bernardo – que além de gritador, é nome de rua – mas o Sérgio Vieira de Melo, morto em ato terrorista lá no Iraque e que hoje é nome da medalha “O Pacificador da ONU”, destinada a homenagear os benfeitores da humanidade. Óbvio que também citaria a mim, em uma penca de autoelogios, modestamente.

Foi quando pensei em identificar outros nomes de destaque da família para ilustrar a mensagem e recorri à internet. Surpreendeu-me um texto que mostrava, mais uma vez, que a história é escrita pelos poderosos e sempre adaptada às suas conveniências. Assim é que o gritador Bernardo, tendo como cúmplice Dona Catarina Leitão, sua temida mulher, decidiu eliminar Ana de Faria Souza, esposa do seu filho André Vieira de Melo, apenas baseado em vaga suspeita, jamais comprovada, de que Ana andava de amores com João Paes Barreto, o dono do Engenho Velho, localizado no Município do Cabo.

Minha cabeça girou, pois, afinal, eu sou “Paes”, neto de Artur Paes, ex-prefeito de Belo Jardim em priscas eras, e sobrinho-neto do Desembargador João Paes, também nome de Rua em Boa Viagem. Acresça-se que uma minha ancestral de nome Ana Paes era a dona do Engenho Casa Forte, ainda hoje com placa na Igreja da praça de mesmo nome, para comprovar.

Confesso que não sabia que estava totalmente inserido no contexto de um crime envolvendo as duas nobres famílias. Além de tudo, seguindo os ensinamentos dos livros escolares, eu bati palmas a vida toda para o gritador republicano, Bernardo, de nada suspeitando. A essas alturas, eu já desconfiava que era melhor não mandar a “brincadeira” aos amigos, pois a História dos Vieira de Melo registra: “Sentada no centro da sala, a jovem mulher é obrigada a tomar uma dose de veneno, misturada a um copo de caldo de galinha.

Mas ela permanece viva, como se nada lhe tivesse acontecido. Decidem, então, mandar buscar um barbeiro para fazer uma sangria, ou seja, cortar com uma navalha as veias do
pescoço da vítima. Mas o sangue que escorre dessa sinistra intervenção é pouco e a mulher continua viva. Então, ali mesmo na sala, os criminosos lançam mão de uma toalha e asfixiam a “vítima”.

Essa história não é invenção de novela barata, nem aconteceu numa pequena comunidade interiorana, onde as vinganças são marcadas por requintes de crueldade. O episódio teve como local a luxuosa Casa-grande do Engenho Pindobas em Ipojuca, de propriedade de Bernardo Vieira de Melo, Capitão-mor de Igarassu, Cavalheiro Fidalgo da Casa Real, Governador da Capitania do Rio Grande do Norte, herói das lutas contra Zumbi e da Guerra dos Mascates.

A data era 1710, época em que os Mascates lutavam contra os nobres de Olinda, a capital de Pernambuco. A essas alturas, só me resta pedir desculpas pela péssima ideia de remexer no baú dos “Paes” e no dos “Vieira de Melo”, pois eu não desconfiava que fosse encontrar tais coisas sobre os meus ancestrais. Vamos procurar outros focos para as próximas publicações no BLOG DO JARTUR.

Abraço a todos!

Para consulta mais detalhada acessem aqui.


9 comentários sobre “O crime dos Vieira de Melo

  1. Muito bem! Sinto prazer de tê-lo entre meus amigos diletos. Figura importante e Nobre.
    Detalhe: o Desembargador João Paes era casado com Maria do Carmo Brasileiro Viana, tia do meu pai. Estive muitas vezes quando bem criança na cada deles. Os netos dele eram meus primos/amigos de infância (Joãozinho, Pilo, Sérgio e as meninas Socorrinho e … ( eita esqueci o nome). Não os vejo há muitos anos.
    By the way: somos contra-parentes!

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  2. Saber e conhecer histórias q ficaram nos baús pessoais eh muito bom pq só assim tornaram públicos alguns fatos que, mesmo q complicados, são interessantes
    Forte abraço

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  3. José Artur, muito expressiva sua pesquisa mergulhando na história de Pernambuco e trazendo à tona nomes famosos e nos deixando conhecer suas origens. Eu sempre desconfiei que o Vieira de Melo que você carrega no seu nome de familia tinha alguma nobreza. Agora, não tenho mais dúvida. Você é nobre pela própria natureza.
    Continua pesquisando e nos dando aulas, assim. Isaltino Bezerra

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  4. Grande José Artur!
    Sempre nobres as suas histórias e estórias, mas essa é do tipo cabeluda, da próxima revira mais esse bau que de certo tem muito mais…
    Bom conhecer fatos de tão antes e que parecem piadas, “Isso é encarnado e esculpido na paisagem do interior”.

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    1. Meu dileto amigo Lúcio, seus comentários incentivam o Zé a continuar postando coisas que considero válidas para uma leitura rápida, mas com conteúdo. Um abraço fraterno.

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