A Madrasta dos Dois Irmãos

planeta-dos-macacos-1968.jpgO que imortalizou o filme O Planeta dos Macacos (1968), não foram os figurantes realisticamente caracterizados, mas o choque de uma cultura às avessas, quando os humanos é que ficavam em jaulas, ou eram usados como cobaias, ante a necessidade daquela civilização conseguir entender os nossos hábitos e os costumes, criaturas tão diferentes e, por isto mesmo, curiosas.

Elas serviam, assim, de atração para os filhotes dos nossos antepassados(?), os quais, tendo uma segunda chance evolutiva, tomaram uma trilha diferente. A nossa civilização, dita normal, faz a mesma coisa com os animais e não nos escandalizamos. Tudo em nome da ciência e para o bem de todos. Em nome da diversão, levamos as nossas crias aos zoológicos para ver o que? Animais estressados, andando de um lado para o outro, em ambientes totalmente estranhos ao seu habitat.

Ora, dirão, esta é a única forma de preservá-los, ante os desmatamentos e os caçadores. E, para atestar a validade do mau agouro do desastre próximo, colocam nas jaulas placas amarelas com a indicação de espécie em extinção, ou placas vermelhas quando já extinta.

oncaInformações inúteis para uma população que passa indiferente diante daquele que deve ser o último exemplar de uma criatura que já teve seu lugar ao sol. Presos em jaulas escuras, em um parque pobremente mantido, só lhes resta mendigar comida aos visitantes ou aguardar o tratador. Tenho certeza que estes são os mesmos sentimentos de todos os que se recusam a ir ao principal parque da nossa cidade do Recife, ou seja, culpa e impotência.

166608,475,80,0,0,475,365,0,0,0,0E estas mal traçadas linhas foram provocadas pelo meu primeiro neto Tiago, a quem me atrevi a levar ao Zoo de Dois Irmãos, aos 2 anos de idade, e a desafiar a minha coluna ao carregá-lo inúmeras vezes.

Não tive coragem de dizer ao Tiago que aqueles eram animais já mortos. Menti-lhe dizendo-os “bonecos” dos bichos e não restos mortais de uma criatura que nunca mais será vista em movimento.

Que história tenebrosa estamos passando às nossas próximas gerações, quando apenas assinamos uma confissão de culpa ao estruturarmos Museus com espécimes empalhadas.

E se aparento escrever meio que comovido, estou, na realidade, sob impulso de dois sentimentos: um da culpa já confessada e o outro da total incapacidade para colaborar de alguma forma para uma eventual solução.

12509486_1210136709014112_7331590201717767748_nAinda bem que tive a ajuda de sempre da avó Célia, cúmplice não só dessa aventura, como dos mesmos sentimentos dessa revolta pífia, incapazes que somos de sugerir alternativas para não só melhor cuidar dos animais, como contribuir para a preservação desses nossos súditos, já que nos autoproclamamos os Reis da Criação.

E para que os meus diletos leitores tenham uma visão geral do Parque Dois irmãos, sugiro que cliquem aqui.

 

“Chegará o tempo em que o homem conhecerá o íntimo de um animal e nesse dia todo crime contra um animal será um crime contra a humanidade.” – Leonardo da Vinci


2 comentários sobre “A Madrasta dos Dois Irmãos

  1. Triste! Por motivo semelhante, tenho evitado comer carne. Escravizar os animais para satisfazer nosso próprio prazer é, além de crueldade, de um egoísmo sem par. Os adjetivos que utilizamos para nos referirmos aos animais, como: selvagens ou ferozes, são bem mais amenos que o que podemos usar para descrever a raça humana: gananciosa. Esquecemos que somos parte desse meio ambiente e, sem as outras partes, não somente ficamos incompletos, como podemos ser extintos junto com eles. Quem não aprende por bem, aprende por mal…

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