Reverência ao “Zé Calazans”

JornalDosMercadosQuando ousei lançar o tabloide – JORNAL MERCADOS DO RECIFE – pude contar com uma honrosa declaração do estimadíssimo amigo José de Calazans Neto sobre este projeto, o qual, por displicência deste que vos escreve, não foi adiante.

calazans.jpgEscreveu Calazans: “Os editores do Jornal Mercados do Recife estão tapando uma lacuna em nossa imprensa, no momento em que focam, divulgam e defendem a soberania dos Mercados, como lugar de todas as classes sociais, seus saberes e sabores. Parabéns, e contem com o meu apoio pessoal e profissional”.

E Calazans enviou-me à época o seguinte texto que publiquei no Jornal e reproduzo agora, sob o título que ele utilizou:

Origem e Modernidade da Imprensa”.

Conta-se que a tradição de imprimir notícias teve origem nos bares e cafés europeus do século XVI, onde as histórias e as notícias de longe, depois de contadas pelos viajantes que por ali passavam, eram impressas pelos donos desses estabelecimentos e distribuídas aos clientes. Com isso, as pessoas mantinham-se informadas sobre eventos importantes daquela época. Porém, o primeiro periódico impresso em papel de que se tem notícia data do ano 713 d.C., na China sob o título Notícias Diversas. No Brasil, a imprensa nasceu oficialmente no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1908, com a criação da Impressão Régia, uma editora portuguesa que se instalou no Brasil, com o mesmo nome que usava em Portugal. Sua primeira publicação no nosso país foi a Gazeta do Rio de Janeiro (Órgão oficial da corte).

carta.jpg
Nossa colaboração ao texto do Calazans, obtida na “MULTIRIO – A mídia educativa da cidade”: O primeiro número do primeiro jornal da colônia (Crédito: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro)

Desde então, o jornal impresso já passou por altos e baixos, veiculando notícias capazes de desestabilizar governos e, mesmo com a chegada de meios mais modernos como a televisão e a internet, continua tendo o seu espaço importante na divulgação de acontecimentos. No Recife dos anos 30, circulavam 06 jornais diários, número então considerado inexpressivo, porque 100 anos antes havia em circulação na Província, 66 periódicos. Nesse período nascia a AIP, para hibernar pouco tempo depois, com a Intentona Comunista que cobriu o Recife com um manto de tristeza. Mas, em 1934, na data comemorativa da Imprensa – 10 de setembro – a AIP sacudiu a poeira e no Teatro de Santa Isabel foi lançada a revista Colcha de Retalhos, do jornalista José Penante. Consolida-se ainda mais a AIP com o retorno à circulação do Jornal do Commercio e a incorporação do Diario de Pernambuco aos Diários Associados. Em 03 de abril de 1998, nasceu a Folha de Pernambuco, ampliando a nossa imprensa escrita, noticiosa e investigativa. Muito mais recente – 2006 – nascia o Jornal do Sertão, cujo slogan sintetiza o seu maior objetivo à Integrar a Região Sertaneja, o que faz há 12 anos. E esses quatro tradicionais jornais do nosso estado estão plenamente inseridos na realidade da moderna tecnologia da informação, disponibilizando acesso em Tablets e outros meios digitais. Tenho dito.

idnot_1079_15408186245bd706c04a019.jpgCalazans atuou na área de comunicação da Brahma e depois foi presidente da Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP). Também foi responsável pela área de comunicação da Agência Pernambucana de Águas e Clima.

Infelizmente, e com imenso pesar, não posso encerrar esta publicação sem registrar que hoje o Calazans está no Oriente Eterno, pois sucumbiu a um acidente fatal, ao se exercitar pedalando próximo à sua residência em Boa Viagem, quando um motorista escancarou a porta do automóvel e o nosso amigo não conseguiu se livrar. Certamente Deus o acolheu de braços abertos.

Por fim, asseguro aos visitantes do BLOG DO JARTUR que nas próximas postagens evitarei externar fatos tristes, pois sentimentos são reações íntimas e só devem ser compartilhados quando focarem fatos alegres, positivos e que, assim, promovam satisfações aos nossos leitores.

Tenho dito.


4 comentários sobre “Reverência ao “Zé Calazans”

  1. Caro amigo Zé Artur.

    Li com muita atenção a matéria aqui colocada sobre CALAZANS e a achei extremamente oportuna e esclarecedora, não só sobre esse nome que tanto bem representou Pernambuco, como também pelos seus comentários dobre os Mercados do Recife. Apenas discordo de duas colocações suas, sendo a primeira quando diz que “por displicência o Jornal Mercados do Recife não foi adiante”. Conhecendo-o como penso conhecer, o amigo jamais tem essa característica de ser um displicente, sendo sim um arrojado construtor de sonhos e, como tal, por vezes, na realidade, alguns de nossos sonhos se realizam e outros são protelados, apenas isso. São de sua autoria dois grandes projetos que conheço, este e as “Empresas Centenárias”. Ambos têm tudo para continuar e dar certo. A segunda questão, da qual também descordo é seu esclarecimento final de que evitará acontecimentos tristes, como este da morte o saudoso Calazans. Amigo, assim como na vida, um Blog deve conter todas as fases, alegres e tristes para ser verdadeiramente autêntico e realista. Sugiro que continue pois equilibrando todos os assuntos que brotarem dessa mente brilhante.

    Finalizando, você receberá no final de novembro, como meu presente de Natal, alguns exemplares da revista Informativo Aldeia uma página de minha autoria sobre esses dois temas: Mercados e Empresas Centenárias, obviamente com os respectivos créditos.

    Abraço e muita saúde, com o sucesso que sempre lhe é peculiar.

    Ataliba Gonçalves

    Curtir

Deixar mensagem para carlos monteiro de araújo Cancelar resposta