Mercados do Recife

A tradição Mascate do Recife é sustentada por 30 Mercados Populares com 4.104 boxes e 20 Feiras Livres, onde se vende de tudo um pouco, nas suas 3.600 bancas. Por lá, o artesanato, a gastronomia popular e o turismo são incentivados e, assim, a interação dos Mercados com o cotidiano dos moradores do Recife é sustentada, preservando-se as histórias contadas de pais para filhos e retratadas na Literatura de Cordel, a qual revela os hábitos, costumes e musicalidade dos frequentadores de tantas gerações.

E, a bem da verdade, eu confesso que só nas primeiras visitas aos Mercados é que aprendi que os comerciantes que por lá atuam, não podem comprar ou alugar os boxes. Eles recebem “Permissão” para se instalarem, pagando uma taxa à Prefeitura, pois os Mercados são Municipais. Assim, eles não são locatários, ou proprietários, mas “Permissionários”.

_mercado_da_boa_vista.jpgFocando desta vez apenas 4 dos 30 mercados, comecemos pelo da Boa Vista que foi inaugurado no século XIX e está localizado no bairro do mesmo nome. Já foi estrebaria, mercado de escravos e até cemitério. Reformado em dezembro de 1946, hoje é ponto de encontro da culinária regional e da variedade do artesanato. Tem 63 boxes, com 9 bares que servem Dobradinha, Fava, Sarapatel, Buchada, Galinha a Cabidela, tudo acompanhado de cerveja gelada ou uma boa dose de cachaça. E programação cultural tem também, com apresentações de forró; samba; repentistas e cordelistas.

maxresdefault (1).jpgAgora, vale destacar que a arquitetura secular confere aos mercados uma tradição bem retratada no Mercado de São José que é o mais antigo edifício pré-fabricado em ferro do Brasil, inspirado no de Grenelle, em Paris, com mais de 500 boxes. Hoje é tombado pelo Patrimônio Histórico.

casa amarela mercado.jpgE no bairro onde moro atualmente, temos o Mercado de Casa Amarela que foi erguido originalmente na zona rural, mas em 1928 foi desmontado e erguido aqui na Zona Norte da cidade. Foi reinaugurado em 1930 com estruturas trazidas de bonde pela empresa Borrione e tem 817 metros quadrados e abriga 100 boxes.

o-que-fazer-mercado-da-madalena-destaque.jpgVale um destaque especial para o Mercado da Madalena que é muito visitado no período da noite e da madrugada, quando grupos de amigos recuperam as energias, depois das festas, com pratos regionais como macaxeira com carne de charque ou cuscuz com bode guisado.

mercado_da_encruzilhada.jpgPor sua vez, o Mercado da Encruzilhada – fundado há 27 anos (1991) – reúne uma clientela diversificada que varia de juízes, políticos, intelectuais e gente da gente que lá vão para saborear a Carne de Sol e a Linguiça de porco caseira, além de Bacalhau lusitano no Bragantino.

Por lá, um destaque especial vai para o Papagaio Rubro-Negro, cujo destino foi registrado no Sport Net pelo jornalista Wellington Araújo, em 21/01/2012: “O IBAMA apreendeu o papagaio rubro-negro do Mercado da Encruzilhada, conhecido por cantar o “Cazá, Cazá, Cazá”, hino do Sport Clube do Recife. Sempre muito bem tratado e há 25 anos morando no Mercado, o seu recolhimento causou indignação a todos. Há uma informação também que ele está muito triste no seu novo lar, podendo levá-lo até a morte.” (Veja o a matéria completa aqui.”

O recifense já gosta muito de ir aos mercados, mas pode passar a gostar muito mais, além dos turistas que aqui aportam, já que a PCR tem promovido todos os sábados, shows e atividades culturais em vários deles.

Numa próxima postagem abordarei outros mercados, mas desde já convido aos que puderam, para visitarem esses Centros da Cultura Popular Pernambucana.

Vamos aos Mercados? Clica aqui pra ver o que te espera.


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