Atiçado pelo amigo Dário Emerenciano, resolvi focar a cultura popular nordestina representada pelo CORDEL, declarando minha admiração pela criatividade dos Cordelistas, pois a grande maioria não teve oportunidade de frequentar as bancas escolares, mas produzem mídias de comunicação inteligentíssimas.
Tudo sai espontaneamente dos seus privilegiados cérebros, o que permite traduzir alegrias, tristezas, gozações, informações turísticas e o dia a dia das nossas cidades, em rimas perfeitas.
Um item importante na produção dos folhetos é a Xilogravura que significa “gravura em madeira” e é uma antiga técnica de origem chinesa em que o artesão utiliza um pedaço de madeira para entalhar um desenho, deixando-o em relevo para reprodução. Utiliza tinta para pintar a parte em relevo e, após isso, em um tipo de prensa, transfere a imagem para o papel. É importante destacar que o desenho sai ao contrário do que foi talhado, o que exige maior trabalho ao artesão.
Mas, porque o nome CORDEL? Porque os folhetos eram pendurados em cordas para secar a pintura.
Eis uma excelente notícia: A Literatura de Cordel foi classificada agora em 19/9/2018, Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro em reunião do IPHAN, endossado pelo Ministério da Cultura de forma unânime.
E a grande maioria dos milhares de cordelistas brasileiros é do nosso Nordeste:

Surgiu em Fortaleza (CE), em 1987 – www.cecordel.com.br
Os conterrâneos que migraram para o Sul / Sudeste, para lá levaram essa criatividade que se espalhou, rapidamente, por toda a região.
Agora, vamos citar alguns dos cordelistas pernambucanos, pedindo desculpas aos ausentes, posto que a lista é imensa. Iniciemos por Davi Teixeira que não só é cordelista, como um exímio criador de Xilogravuras, expostas nas capas dos seus folhetos. Ele nasceu em Bezerros/PE, em 1959 e começou a escrever seus poemas aos 39 anos, sendo um deles especialmente dedicado a LUIZ GONZAGA — Filho de Januário. Citaremos só as 2 primeiras estrofes, para atiçar vocês a comprarem o folheto do Davi:
Pro meu querido leitor
Vou falar do Gonzagão
E da sua trajetória
Se ligue e preste atenção
Sem gaguejar, sem tropeço
Pesquisei desde o começo
Da cidade ao sertão.
Foi na fazenda Caiçara
Eu digo pra o senhor
Januário sanfoneiro
E também consertador
De oito baixos, o fole
O cabra não era mole
E ainda fez o cantor.
Informações sobre os cordéis do Davi, estão em: www.daviteixeira.com.br
Outro excelente cordelista é o Meca Moreno, de Palmares/PE, que descreveu a história e a tradição do Mercado de São José. E assim ele poetizou (apenas algumas estrofes para atiçar vocês):
Foi no século XIX
No ano setenta e cinco
Um grande acontecimento
Com muito orgulho e afinco
Que o povo do Recife
Sentiu do progresso o vinco
No bairro de São José
Surgiu um grande Mercado
Com estrutura francesa
Ali ele foi montado
Grande, bonito e moderno
Com tudo bem preparado.
>> Pulando estrofes, cito a última <<
Muita história tem havido
O mundo pequeno é
Recife é eternizada
Em seu frevo Evoé
Nós temos marco na história
O Mercado de São José.
Mais sobre o cordelista no Museu de Arte Popular
Importantíssimo registrar que esses cordelistas participam da UNICORDEL e estimulam pessoas de todos os níveis e curtirem os versos populares.
A União pelo Cordel em Pernambuco, UNICORDEL/PE, existe desde 2005 e congrega mais de 50 membros, que são poetas, amantes e pesquisadores da Literatura de Cordel e da poesia popular no Estado de Pernambuco. Tem o objetivo principal de divulgar os cordelistas e suas obras e de levar, através dos meios culturais e educacionais, o cordel às escolas, aos mercados, aos alunos, às feiras, aos eventos, quer seja por meio de recitais quer seja por meio de oficinas, aulas, palestras, seminários e monitoramentos. Conheça clicando aqui.
Quase finalizando transcrevo, orgulhosamente, umas estrofes do Cordel preparado por minha filha, Marília Paes Cesário para comemorar os meus 70 anos, o que me deixou eternamente grato.
OS CAMINHOS DO ZÉ
Setentinha né pra todo mundo não!!!
Essa é a história do Zé Artur
Que nasceu na capital
E se criou no interior
Sua mãe era Maria do Carmo
E o seu pai, o Antenor
Irmãos teve um bocado
Sendo de longe o mais danado
Em Belo Jardim foi crescendo
E seu avô, Prefeito da Cidade
Os seus gostos foi fazendo.
>> Pulando estrofes, cito a última <<
E assim nessa levada
Está o Zé a perguntar
Será que eu fiz diferença?
Ora, tenha paciência
Não vai querer que eu comece
A tudo de novo relatar!!!
E encerro esta postagem com uma tentativa de imitar esses inteligentes Cordelistas.
Na esperança de que vocês
Tenham nosso Blog acessado
Gostaria de, mais uma vez,
Afirmar que tenho buscado
Sempre que possível acertar.
Hoje envio esta nova postagem
Para minha filha Letícia, publicar
Como orientadora geral que é
Verdadeira guia nesta viagem
Do Blog do JArtur, ou seja, do Zé.
Mandei uma cópia para o presidente da Associação dos Cordelistas daqui e Conselheiro de Cultura da cidade para ler.
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Zé, sou um leitor assíduo do seu blog. Abs Jairo
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Muito bom tudo isso
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